Publicado por: hotwind | Abril 14, 2008

40 anos de Desporto em Campo Ourique

Passaram vinte anos desde que entrei pela primeira vez por aquele portão verde e me colocaram a jogar num pelado para dar uns pontapés numa bola.

Passaram quarenta anos desde que aquele portão verde foi erigido na Freguesia.

A minha primeira experiência com uma bola aconteceu antes, para os lados do Estádio da Luz. Aí, estava convencido que iria realizar o sonho de jogar na Catedral quando fosse maior, anos mais tarde. Cedo percebi que não. Que a minha capacidade era ínfima e que necessitaria de a praticar num local onde a pressão não existisse, mas onde se aprendesse e apreendesse muitas coisas para além do futebol.

E assim fui, juntamente com mais uns quantos amigos, integrar a equipa de infantis do clube Desportivo Domingos Sávio.

Passei pela mão de alguns treinadores, em especial o muito conhecido Sr. António, que me ensinou a lançar da linha lateral como o Bynia e que, entre outras lições, o pontapé é com a parte de fora do pé e não com o bico da bota.

Mas, foi nos campos pelados que aprendi muitos ensinamentos para a vida futura, como a camaradagem, o companheirismo, educação, respeito pelos outros e, acima de tudo, amor a uma causa.

Agora, que se completam quarenta anos de história, o Desportivo Domingos Sávio (DDS), o “clube da terra”, realizou um colóquio sobre futebol amador, por onde passaram nomes conhecidos do desporto em Portugal, onde destaco João Alves, Fernando Correia, Rui Caçador, Aurélio Pereira, Carlos Arsénio, Lucílio Baptista e Agostinho Correia. Infelizmente, a conclusão que saiu do colóquio foi unânime: o futebol amador está, em larga medida, a morrer e as entidades que sempre apoiaram estes clubes começam a não ter condições para o fazer.

Devemos, no entanto, ter em conta a importância que estes clubes têm na sociedade civil, na formação junto dos mais jovens, evitando a sua marginalização com a ocupação dos tempos livres e permitindo e incentivando a prática desportiva; ou afastando os jovens do tempo execessivo que passam em frente à televisão ou ao computador, vícios que potenciam o ócio e contribuem para o aumento da taxa de obesidade juvenil em Portugal.

O DDS é hoje um clube diferente, o pelado deu lugar a uma mão-cheia de campos de relva sintética, o que implica a realização de jogos noutros locais, em especial na Boavista.

Apesar destas contrariedades, sentidas especialmente junto das camadas mais “velhas”, a direcção não baixou os braços e em parceria com a Junta de Freguesia e com as Oficinas de S. José tem vindo a desenvolver um trabalho coerente e com sentido prático, com o objectivo de colocar o clube de volta à tradição de lançar jogadores na alta roda do futebol português. Como o fez no passado com José Carlos, João Pereira, Silas ou Quaresma.

Quem esteve nas instalações do DDS e teve oportunidade de assistir ao Torneio da Páscoa organizado pelo clube e a Junta de Freguesia, percebeu a forma cada vez mais pragmática com que a prova é pensada e a importância que esta constitui na vida dos jovens participantes.

Quanto a mim, continuarei a viver apaixonadamente a vida do clube que me deu a oportunidade de dar uns chutos na bola e me ajudou a entender a frase de Albert Camus: “Tudo quanto sei com maior certeza sobre a moral e as obrigações dos homens devo-o ao futebol”.

 

 


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