
Tudo começou no dia 26 de Dezembro de 2007. O processo não era, não é e não será fácil. Sabíamo-lo há muito tempo, mas desta vez, e com as restrições impostas de forma fundamentalista, por uma lei impeditiva de toda a liberdade pessoal do individuo, decidimos combater esse vício tão prazeroso chamado tabaco.
Fumei muitos anos, fumei por que gostava de o fazer, tinha prazer em acender, em puxar, em travar um cigarro, como se costuma dizer, fumava porque gostava de o fazer.
Sempre o fiz com a noção perfeita dos malefícios que o mesmo causava, sempre soube que os cigarros possuíam no seu conteúdo, algo que me poderia provocar doenças nada agradáveis.
Mas, e aqueles que nunca o fumaram? E que morreram na mesma, com aquela estupidez de doença chamada cancro?…
Passados que estão 22 dias desde o início deste tratamento, desta desintoxicação, desta verdadeira maratona, olho para trás, e ainda continuo a pensar da mesma forma, que lei tão estúpida.
A lei 37/2007 de 14 de Agosto, mais conhecida pela Lei do Tabaco, veio colocar à discussão da sociedade, direitos, liberdades e garantias da população.
Por mim, continuo a considerar a lei fundamentalista, impeditiva da liberdade de cada um, considerando que deveriam ser condições para que existisse a liberdade de fumar um cigarrinho.
Sei que prejudicava os que à minha volta trabalhavam, e tinha que consumir os 40 cigarros que em média fumava no escritório, mas porquê é que eu não poderia continuar a ter condições para fumar, porquê é que eu tinha que ir a correr para uma varanda ou para meio da rua para poder consumir a minha dose?
Tinha que fazer uma escolha, e tomei-a em consciência das dúvidas, incertezas e frustrações que a mesma me traria, sabia de antemão que seria difícil, é difícil, será complicado.
Hoje andarei mais feliz? Andarei mais saudável? Talvez! Mas feliz, não! Deixei um prazer porque me obrigaram, porque me colocaram um lei em cima de tal forma fundamentalista que nem à boa maneira portuguesa nos é possível contornar.


